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sexta-feira, 18 de março de 2011

Al Capones Evangélicos


Este artigo foi publicado por J. Lee Grady, editor da Revista Charisma. Estes são os trechos que considerei mais relevantes, aos quais faço também meus comentários.

"Houve um tempo em que Al Capone controlava toda a cidade de Chicago. O notório gangster da década de 1920 subornou o prefeito, comprou a polícia e, como um rei, presidiu um império de cassinos, redes de contrabando e botecos em pleno vigor da Lei Seca. Ele se esquivou das balas por muitos anos e viveu acima da lei – ganhando assim a reputação de 'intocável' porque ninguém podia levá-lo à justiça.

"Antes que Capone fosse finalmente preso em 1932, ele justificou seus crimes dizendo: 'Tudo o que faço é para atender a demanda do público.' Ele nunca assumiu responsabilidade pelo estrago que causou porque prefeitos, policiais, líderes comunitários e estelionatários o apoiaram todo o tempo.

"Odeio ter que comparar ministros de Deus a um mafioso. Mas a triste verdade é que atualmente há alguns (talvez mais do que só alguns) pastores que possuem algumas das características mais abomináveis de Al Capone. São mestres do engano e da manipulação. ...

"Mas a exemplo de Al Capone, seus dias estão contados. A Justiça logo os agarrará.

"Estes falsos profetas provavelmente começaram com um chamado genuíno da parte de Deus, mas o sucesso os destruiu. ..."

E, em parte, a culpa é nossa, porque, quando deveríamos ter falado, nos calamos diante do erro de falsos líderes. E isso lhes serve como tentação, a sentirem-se poderosos, influentes. Ficam cheios de si. Outro fato que contribui para a corrupção de pastores e líderes é a falta de conhecimento da Palavra de Deus por parte de seus liderados. O membro de igreja se acomoda, "papando sermão" e acreditando em tudo que o pastor fala, sem questionar, sem consultar a Biblia. Para esse tipo de membro o que vale não é o "assim diz o Senhor", e, sim, o "assim diz o pastor". É muito mais cômodo colocar toda a responsabilidade por minha salvação/perdição nas mãos do pastor. Troca-se o estudo esmerado da Bíblia pela simples leitura superficial, porque entende-se que o pastor já conhece. Mera preguiça, negligência e presunção.

"Nós fomos os tontos. Quando ficávamos sabendo que eles estavam vivendo em imoralidade, maltratando suas esposas ou povoando cidades com seus filhos bastardos, dávamos ouvidos às suas desculpas ao invés de exigir que estes pastores vivessem como verdadeiros cristãos. Que Deus nos perdoe."

A Igreja tem, nas últimas décadas, substituído os valores neotestamentários da qualificação e trabalho pastoral por modelos de gestão empresarial e mercado corporativo. Isso nos trouxe pastores mercadológicos, porém imorais, produtivos quantitativamente, e não qualitativamente, eficientes, porém pouco eficazes. Será que foi esse o modelo sustentado por Jesus? Se sim, então era pra Judas ter sido o seu melhor apóstolo. Ele tinha todas essas "qualidades". Os outros nem tanto. Eram homens mais simples. Mas Judas não suportou o modelo "louco" e "ultrapassado" de Jesus, tanto que o traiu. Precisamos refletir nisso.

"Nós fomos os ingênuos. ... Na verdade, sempre que questionávamos algo, outro cristão rapidamente retrucava: 'Não critique! A Bíblia diz "Não toque o ungido do Senhor!"' Que Deus no perdoe.

"Se tivéssemos aplicado discernimento bíblico há muito tempo atrás, teríamos evitado todo este caos. Jamais saberemos quantos incrédulos rejeitaram o Evangelho porque viram a Igreja apoiando pilantras que se gabavam, coagiam, mentiam, manipulavam, subornavam, roubavam e, com lágrimas, conquistavam espaço em nossas vidas ....

"Sempre que cristãos bem intencionados citam 1 Crônicas 16:22 ('Não toqueis os meus ungidos e não façais mal aos meus profetas') para encobrir a sujeira e o charlatanismo, eles cometem uma injustiça contra as Escrituras. Esta passagem não ordena que nos calemos quando um líder está abusando do poder ou enganando as pessoas. Pelo contrário, somos chamados a confrontar o pecado em amor e honestidade. E certamente não estamos amando a Igreja se permitimos que os Al Capones carismáticos de nossa geração a corrompam."

É como sempre digo: quando poupamos o pastor de uma advertência, estamos sendo cruéis com a verdade e com milhares de cristãos que dependem dela, pois, assim como uma gota d'água influencia todo o oceano, o testemunho imoral de um líder gera frutos maus em longo alcance de espaço e tempo.
Sendo bem prático e realista, o que existe hoje é um corporativismo no seio da administração eclesiástica. Enquanto Jesus repreendia o pecado em público (quando o pecado era público), hoje a Igreja (entenda-se: homens que administram a Igreja) omite seus erros, os erros de seus líderes e orienta seus pastores a desencorajar e até repudiar qualquer irmão que fale em repreensão. Este último é logo tachado de brigão e não-consagrado, quando apenas quer exercer seu direito, dado por Deus, de clamar por justiça.

Mas há também um fundo de razão nos pastores que procedem dessa maneira. Há muitos "cristãos" por aí que, na verdade, são sentinelas de plantão, mas não da salvação e, sim, de acusação. Andam ávidos por acusar alguém, por ver punição. Punição não é a mesma coisa que disciplina. Mas, ainda assim, digo que até nisso a Igreja (entenda-se: homens que administram a Igreja) tem culpa. Pois qualquer pessoa, de qualquer jeito, pode ser batizada na Igreja hoje. Não há um forte senso de discipulado. Muitos erros são acariciados, relevados, ignorados. E é isso que produzirá, lá na frente, cristãos com um discernimento embotado, incapazes de diferenciar o que seja julgar o pecado de julgar pecador, perdoar pecado de perdoar pecador. Se você não entendeu, o correto é: julgar o pecado e perdoar o pecador, ao invés de julgar o pecador e perdoar o pecado. E esses cirstãos serão discipuladores de outros e assim por diante. Justiça e misericórdia, para Deus, devem sempre andar juntas.

Pode parecer radical, mas minha opinião é de que o corporativismo incestuoso deve ser banido da Igreja. Isso ocasionaria provavelmente um grande êxodo de membros, mas produziria um crescimento espiritual proporcional e sem precedentes. E daí pra frente, o crescimento seria primeiramente qualitativo, e depois quantitativo. Uma igreja com 10 membros que adoram em espírito e em verdade pode fazer muito mais do que com 100 adoradores superficiais. Cabe a algum membro dizer quem é trigo e quem é joio? Não. Somente a prática da verdade faz essa separação. A luz dissipa as trevas. Se você não quer ser joio, então seja trigo. A escolha está nas suas mãos. Na sua, mais ainda, pastor!

Para ler o artigo original na íntegra, clique aqui.

Fonte: Charisma Magazine. Tradução: Pão & Vinho. Comentários: Cláudio dos Santos Júnior

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

De quem é a culpa?

Esta manhã, recebi uma mensagem de e-mail interessante, a qual respondi e encaminhei a vários dos meus contatos. A mesma continha uma apresentação do PowerPoint, em anexo, que mostrava imagens chocantes da triste realidade de jovens que se entregam ao mundo do tráfico e rendem cedo de mais suas vidas. Ao final da mensagem, era dito que a culpa de tudo é dos políticos corruptos. Concordo em parte.

A culpa é deles também. Mas encontrar culpados é fácil, principalmente porque a culpa é sempre dos outros. Na verdade, a culpa é de todos nós brasileiros (salvo os que não se encaixam no perfil que descrevo abaixo), porque somos filhos de pais e mães semelhantes aos pais que educaram os políticos que governam nosso país. Recebemos a mesma educação que eles. E os mesmos também colocaram a culpa nos políticos de sua época.

Todos nós, em diferentes gerações, enquanto culpamos os políticos, cometemos atos de corrupção e desvio de conduta que culminam em produzir (em nós mesmos e nos outros) pessoas egoístas, mesquinhas, presunçosas, enfim: pessoas más. E quando essas pessoas assumem cargos de poder, apenas vão continuar fazendo aquilo a que já estão habituadas, porém numa escala maior. Onde estão esses atos? Estão mais na nossa cara do que estamos dispostos a reconhecê-los. São atos simples, que, hoje em dia, "perderam" seu valor, ou melhor, desaprendemos a reconhecer seu valor, ou pior, ignoramos seu valor. Abaixo, enumero alguns desses atos. Para muitos, é besteira. É preciso ser sincero consigo mesmo e ter disposição mental para enxergar a verdade transcendental por detrás da cortina dos paradigmas sociais. Eis os fatos:
  1. Ensinar aos filhos que é preferível ser "esperto" do que ser honesto;
  2. Não punir a "simples" mentira, medindo-a pelas suas conseqüências ao invés da sua causa, que é nascer em um coração impuro;
  3. Justificar os erros dos filhos, só porque são filhos, ignorando sua culpa e a disciplina merecida;
  4. Beber e dirigir. Muitas pessoas fazem isso em sua sinceridade, porque botam fé na sua habilidade no volante. Mas veja: uma pessoa tem o direito de ter fé em si mesma, mas não tem o direito de obrigar os outros a terem fé nessa mesma pessoa. O direito de um termina onde começa o do outro. O certo é respeitar as leis de trânsito, que são fruto de estudos e protejem a todos, não somente a si;
  5. Achar uma carteira na rua e devolvê-la sem o dinheiro, dizendo que já a encontrou assim, ou não devolvê-la, só porque ninguém vai saber.
  6. Usar a falta no jogo de futebol como artifício para obter vantagem no lance;
  7. Usar o material de expediente do trabalho como material escolar dos filhos. A desculpa é: ninguém vai perceber, mas o país percebe (e como percebe!) com milhões de cidadãos fazendo igual. Atos como esse, somados a outros, são o motivo do salário medíocre que cada um ganha, por causa do prejuízo "imperceptível" que cada um causa. Quer reclamar do salário? Reclame a você mesmo;
  8. Prestar mau atendimento, ou não atender com cortesia e educação a outro cidadão. Não se surpreenda quando for você que estiver do outro lado do balcão ou da linha telefônica e for mal atendido;
  9. Dar bom dia ao advogado, médico, engenheiro e ignorar o gari;
  10. Fechar os olhos e a boca contra a injustiça, mesmo que nessas pequeninas coisas.
  11. ...
Conclusão: O item 11 (onze) foi deixado em branco de propósito, para que você reflita e, em sua mente, preencha esta lacuna com algo que você faz de errado na sua vida, mas que abandonará, para não ser cúmplice dos políticos (e cidadãos) corruptos. A Palavra de Deus, há muito tempo, já predisse que os últimos dias seriam assim, maus. Ou seja, a tendência é piorar, porque a Palavra é fiel e justo o Seu Autor. Eu falo porque o Espírito me comove a falar. Falo para não ser cúmplice, porque calar é consentir. Ai de mim, se não falar.

O que se faz é o que se paga. "Olho por olho, dente por dente". A sociedade colhe o que planta. E agora, de quem é a culpa?

Cláudio César Monteiro dos Santos Júnior

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A Cara do Brasil

Delis Ortiz

Outro dia, ao chegar ao Rio de Janeiro, tomei um táxi. O motorista, jeito carioca, extrovertido, foi logo puxando papo, de olho no retrovisor.

-- A senhora é de Brasília, não é?

-- Sim -- respondi.

-- É, eu a reconheci. E como é que a senhora aguenta conviver com aqueles ladrões lá do Planalto Central? Não deve ser moleza.

O sujeito disparou a falar de políticos, do tanto que eles são asquerosos, corruptos... Desfiou um rosário de adjetivos comuns à politicagem nacional.

Brasília é o palco mais visível dessas mazelas e nem poderia deixar de ser. Afinal, o país inteiro olha para lá. O taxista era só mais um crítico, aparentemente atento. E ele sabia dar nomes aos bois que pastavam tranquilamente no orçamento da união, que se espreguiçavam impunemente sob a sombra da imunidade parlamentar ou de leis feitas em benefício próprio. E que, de tempos em tempos, se refrescavam nas águas eleitoreiras.

O carro seguia em alta velocidade; a distância parecia esticada. Vi uma bandeira três em disparada.

Lá pelas tantas, quando já estávamos dentro de um segundo túnel escuro, o condutor falante sugeriu um “dia sem corrupção”.

-- Já pensou -- disse ele -- se uma vez por ano esses homens não roubassem?

-- Interessante -- a exclamação me escapou aos lábios.

-- Sim -- continuou entusiasmado --, seria uma economia e tanto.

Nessa hora, me dei conta de que estávamos percorrendo o caminho mais longo para o meu destino. Chegava a ser irracional a quantia de voltas para acertar o rumo. Deixei.

-- Os economistas comentam -- tagarelava ele -- que somos um país rico. Não deveria existir déficit da previdência, os impostos nem precisariam ser tão altos, o serviço público poderia ser de primeira. O problema é que quanto mais se arrecada, mais escorre pelo ralo, tamanha a roubalheira.

Tão observador, será que ainda se lembrava em quem tinha votado para deputado ou senador na última eleição? Fiz a pergunta e, depois de algum silêncio, a resposta foi não. Pena.

Caímos num engarrafamento, cenário perfeito para aquele juiz de plantão tecer mais comentários sobre o malfeito.

-- Veja como são as coisas, os riquinhos ociosos da Zona Sul, que deveriam pensar em quem tem pressa, acham que são os donos do pedaço e vão embicando seus carros, furando fila, costurando de uma faixa a outra, querendo levar vantagem. A gente, que é motorista de táxi, tem que ficar atento, porque os guardas estão de olho, qualquer coisinha eles multam. Mas eles fazem vista grossa para as vans que transportam pessoas ilegalmente. Elas param onde querem, estão tomando os nossos passageiros. Como não tem ônibus para todo mundo e táxi fica caro, muita gente prefere ir de van.

Por falar em “caro”, a interminável corrida já estava me saindo um absurdo... Resolvi pontuar algumas coisas.

-- Por que o senhor escolheu o caminho mais longo?

Ele tentou se justificar:

-- É que eu estava fugindo do congestionamento.

-- Mas acabamos caindo no pior deles -- retruquei. E por que o senhor está usando bandeira três se não tenho bagagem no porta-malas nem é feriado hoje? -- continuei questionando.

Ele disse que estava na três para compensar a provável falta de passageiro na volta. Claro que não, eu sabia.

Finalmente, consegui chegar ao endereço pretendido. Fiz mais um teste com o “probo” cidadão: paguei com uma nota mais alta e pedi nota fiscal. Ele me devolveu o troco a menos e disse que o seu talão de notas havia acabado.

-- Veja como são as coisas, seu moço -- emendei. O senhor veio de lá aqui destilando a ira de um trabalhador honesto. No entanto, se aproveitou do fato de eu não saber andar na cidade, empurrou uma bandeirada, andou acima da velocidade permitida, furou sinal, deu voltas, fingiu que me deu o troco certo e diz que não tem nota fiscal!

O brasileiro esperto quis interromper, mas era minha vez de falar.

-- O senhor acha mesmo que ladrões são aqueles que estão em Brasília? Que diferença há entre o senhor e eles?

Eu sabia que estava correndo risco de uma reação violenta, mas não me contive. Os “homens” do Planalto Central são o extrato fiel da nossa sociedade. Quantos taxistas desse porte vemos dirigindo instituições? Bons de discursos... Na prática...

Desembarquei com a lição latejando em mim. Quantas vezes, como fez esse taxista, usamos espelho apenas como retrovisor para reter histórias alheias? Nossas caras, tão deformadas, tão retocadas, tão disfarçadas, onde estão? Onde as escondemos que não aparecem no espelho?

Sem a verdade que liberta, jamais estaremos livres de nós mesmos. Ainda sonho com um Brasil de cara nova... A começar por minha própria cara.

(Delis Ortiz é jornalista, repórter especial da TV Globo, em Brasília. É membro da Igreja Presbiteriana do Planalto. Publicado no site da Editora Ultimato)

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Ultrapresidencialismo de Lula

"A explosiva popularidade do presidente Lula é o último prego no caixão do sistema político brasileiro.

"À exuberância de Lula depois de cinco anos de relativo progresso brasileiro, ao qual ele, como presidente, obviamente contribuiu, junte-se a urgência da crise econômica, que enche de poder os Poderes Executivos no mundo inteiro, e a descida cada vez mais funda aos infernos do Congresso nacional.

"O resultado é o presidente mais poderoso do ciclo político atual, inevitavelmente comparável a Vargas, para o bem e, esperemos, não para o mal..."

Leia mais deste interessantíssimo artigo aqui.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Drogas na vagina e fraudes na Saúde

“Há anos vejo mulheres sendo presas por tráfico de drogas ao visitar maridos e namorados nas cadeias. Quase sempre são jovens com pouca escolaridade, mães de mais de um filho, moradoras da periferia das cidades, apaixonadas por bandidos que nunca mais se lembrarão delas quando estiverem atrás das grades. Essas moças geralmente são surpreendidas pelas funcionárias ao passar pela revista, em dia de visita, tentando levar cocaína ou maconha escondida em sacos plásticos introduzidos na vagina.

“Encaminhadas à delegacia, são autuadas em flagrante e trancadas. Não voltam mais para casa; os filhos ficarão sob os cuidados sabe lá Deus de quem. Meses mais tarde, serão condenadas a cumprir penas que podem chegar a quatro ou cinco anos. As novatas entrarão em contato com criminosas de carreira e aprenderão a obedecer a leis impostas pelas quadrilhas que dominam os presídios paulistas; as mais experientes farão pós-graduação no mundo do crime.

“Primárias e reincidentes, quando libertadas, estarão na mesma condição: ex-presidiárias sem dinheiro nem emprego, com filhos para acabar de criar e com a folha de antecedentes marcada. Dos anos no cárcere, carregarão as cicatrizes do aprisionamento e as ligações com as parceiras de infortúnio. Voltar a delinqüir é a saída natural.

“Sem a pretensão de analisar o rigor das leis contra o tráfico, muito menos a de defender quem as infringe, confesso que no caso dessas moças fico confuso. Quantos gramas de maconha cabem na vagina de uma mulher? Essa quantidade apreendida é relevante no combate ao tráfico? Será que uma simples medida administrativa, como cassar definitivamente o direito de visitar qualquer presidiário, não seria castigo suficiente para essas contraventoras e não reduziria a superpopulação nas cadeias femininas?

“Semana passada, a Operação Parasitas, da Polícia de São Paulo, prendeu cinco acusados de comandar uma quadrilha que fraudou centenas de licitações nos principais hospitais públicos da cidade, além de outros no interior do Estado, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. O golpe era o de sempre: empresários subornam funcionários públicos para ganhar licitações superfaturadas, realizar vendas de artigos desnecessários e entregar produtos de qualidade inferior à estipulada nos contratos (ou nem entregá-los).

“Os policiais encontraram compras efetuadas a preços 400% mais altos do que os encontrados no mercado, cateteres contrabandeados da China vendidos como material de primeira e até fraudes em leilões eletrônicos, com provável participação de pregoeiros e de funcionários dos hospitais.

“No período de dois anos, o volume dos negócios teria chegado a R$ 100 milhões. A lavagem do dinheiro era feita em offshores abertas no exterior em nome de pessoas humildes, como sempre.

“Por meio de doações a campanhas políticas, os chefes exerciam influência nos municípios em que atuavam. Num deles, chegaram a "comprar" o cargo de secretário da Saúde por R$ 200 mil, doados ao caixa de campanha de um candidato a prefeito nas últimas eleições.

“O que mais me chamou a atenção, entretanto, foi o fato de que algumas das empresas investigadas e alguns dos suspeitos estavam envolvidos em outras falcatruas perpetradas contra o sistema de saúde: a máfia dos sanguessugas e as fraudes do antigo PAS da Prefeitura de São Paulo. Outros, ainda, haviam sido investigados pela CPI do Banestado e pela Operação Farol da Colina, da Polícia Federal.

“Quer dizer, esses senhores não haviam apenas escapado da cadeia como suas empresas tinham toda liberdade para negociar com hospitais públicos e secretarias de Saúde.

“Os escândalos que se repetem em ciclos na área da Saúde desde que me conheço por gente são frutos da impunidade. Quem rouba dinheiro destinado ao tratamento de doentes pobres deveria responder por crime hediondo e cumprir pena em regime fechado, sem nenhuma regalia, naquelas celas de CDP com mais de vinte ladrões.

“Não sou ingênuo, leitor, sei que os acusados estarão na rua em uma semana. No Brasil, cadeia foi feita exclusivamente para bandido pobre.

“Apesar disso, tomo a liberdade de fazer uma sugestão: por que não condenar esses parasitas, predadores da pior espécie, a quatro ou cinco anos, como é feito com as moças presas nas portas dos presídios?

“É pouco, dirá você. Também acho, mas é melhor do que nada.”

(Dráuzio Varella, Folha de S. Paulo, 8/11/2008)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Carteiro que escondia correspondência vira herói nos EUA

Ele cometeu um pecado capital para a classe dos carteiros: durante sete anos, Steven Padgett se recusou a entregar cartas a moradores de Raleigh (Carolina do Norte, EUA).

Não eram cartas comuns, mas catálogos, propagandas e anúncios não solicitados. Ele escondia essas correspondências em sua garagem ou as enterrava em seu quintal. Como ninguém sentia falta das propagandas que Steven não entregava, o plano só chamou a atenção quando vizinhos começaram a perceber o acúmulo de cartas.

Steven, de 58 anos, foi condenado a três anos de prisão em regime aberto, 500 horas de serviço comunitário e deverá pagar uma multa de US$ 3 mil.

O advogado de defesa disse ao "Los Angeles Times" que Steven, que sofre de diabetes e problemas no coração, sentia-se sobracarregado com o excesso de correspondências que eram enviadas por mala-direta.

O serviço postal dos Estados Unidos comunicou centenas de moradores de Raleigh sobre o ocorrido, mas apenas uma pessoa respondeu. Kenna Reinhardt disse que Steven não deveria ser condenado, mas, sim, condecorado como um herói. "Em vez de incomodar as pessoas, ele fez seu trabalho melhor do que ninguém", disse Kenna, em uma carta.

Outros moradores se manifestaram na imprensa. Leitores do "Raleigh News & Observer" aprovaram a conduta de Steven. "Steven para presidente", escreveu um deles.

Outro leitor propôs dar ao ex-carteiro um emprego na área de telefonia, para que ele "dê um jeito nas ligações indesejáveis". (G1)

Fonte: www.diariodopara.com.br

Nota: O sistema de governo capitalista torna as pessoas egoístas, hipócritas e rebaixa a moral, pois nesse sistema, o dinheiro vale mais do que a dignidade, do que as pessoas, e, como conseqüência, as leis tornam-se fiéis protetoras do dinheiro. Quem proteje as pessoas, prejudica o lucro dos outros e comete crime. Transformaram o bem em mal e o mal em bem. [Cláudio]

terça-feira, 18 de novembro de 2008

"Senhor, a TIM não é nenhuma empresa de fundo de quintal!"

O Fernando Caprio, Software Engineer na Hewlett Packard Brazil, escreveu o seguinte em seu blog:

"Mandei um e-mail para a Vivo reclamando que o site deles não funciona corretamente no Firefox, Safari e Chrome. Não dá para receber a senha para acesso online por SMS, bem como obter a fatura de diferentes meses.

"Eis a resposta:
Prezado (a) Sr (a) Fernando, bom dia!

Em atenção ao seu e-mail, informamos que nosso site é desenvolvido em uma base de banco de dados MSDE e toda a programação é realizada em arquivos com extensão HTML. Portanto o Firefox é um programa incompatível a essa extensão.

"Nossa! Tomara que o Firefox um dia suporte esse tal de HTML. Inacreditável que mandem e-mails que, além de prontos, ofendam a inteligência das pessoas. Usuários de Mac, potenciais clientes do iPhone da VIVO - que não é nem um pouco barato - não podem usar o sistema online pois, pelo visto, o Safari também não suporta HTML."

Nota:

Para quem não sabe, Firefox, Chrome e Safari são programas de computador utilizados para surfar na Internet; HTML é uma linguagem de computador que é a base onde são construídos todos os sites existentes na Internet. Aha! Creio que agora você entendeu a indignação e ironia do Fernando, acima. Como a ViVo diz que o Firefox não tem suporte à HTML se todos os sites são feitos nessa linguagem, sendo o Firefox um programa feito especificamente para acessá-los?! É o mesmo que dizer que um MP3 player da Sony não suporta o formato de arquivo .mp3!

Há alguns anos, logo que adquiri meu primeiro chip GSM (o qual uso até hoje), da TIM, entrei em contato com o atendimento para aderir a uma dessas promoções. O cliente que aderisse à mesma, teria um desconto na tarifação até a copa de 2006, mas teria que fazer recargas periódicas até lá para que a promoção continuasse vigente. Se uma recarga falhasse, já era a promoção.

Como sou daqueles que fecha a porta da geladeira e não acredita que a luz apagou, pensei: "E se eu fizer uma recarga, mas o sistema da TIM falhar e indicar que essa recarga não foi feita?". Relatei essa preocupação para a atendente e perguntei que recurso eu teria para provar que fiz a tal recarga. A mesma respondeu com a delicadeza de um pedregulho em queda livre: "Senhor, a TIM não é nenhuma empresa de fundo de quintal!". Ou seja, eu seria obrigado a confiar no sistema da empresa.

Ora sabemos que há falhas nos sistemas. Ignorar isso diante de um cliente é uma falta de respeito. Por isso, é com prazer que faço essa postagem, para mostrar ao mundo que empresas como essa têm muita pompa, porém pouca disposição de reconhecer nossos direitos. Se comportam como empresas de fundo de quintal, sim.

Ainda tem mais! Recentemente fui reclamar sobre uma instabilidade persistente que está acometendo a qualidade dos serviços da operadora. Quase toda vez que origino ou recebo uma ligação, acontece linha cruzada. A atendente teve a cara-de-pau de me dizer que nunca receberam essa reclamação. Realmente, isso não acontece com pessoa alguma, só comigo, com minha esposa, com meu cunhado e sua esposa, com meus irmãos, pai, mãe, amigos, etc.. Coincidência?

O governo precisa ser mais enérgico com essas empresas. Sempre defendi a idéia de o consumidor e cidadão ser provido de um instrumento de divulgação em massa que veiculasse suas más experiências com quaisquer entidades que tentassem abusar de sua boa vontade. Bastaria o governo investir um pouquinho num programa de televisão de horário nobre que desse voz ao povo e comprovasse a veracidade dos fatos. Quem aposta comigo que o Brasil iria melhorar 200%? Qual seria a empresa ou político corrupto que teria coragem de ainda desrepeitar tão na "cara-dura" os nossos direitos. É só ter boa vontade e dar voz ao povo!

Tudo isto digo, porque os "espertos" empresários, publicitários e políticos sabem aproveitar a mídia para botar a boca no mundo, prometendo mundos e fundos. Mas o consumidor, ao se dar mal por ter acreditado nas promessas, fica limitado a uma reclamação no Procon ou processo judicial que terminam no anonimato, enquanto o balé do desrepeito continua e os malfeitores continuam com sua imagem limpa. "A quem com ferro fere, com ferro será ferido". O programa de televisão ao qual me referi acima seria o instrumento que imporia o respeito que merecemos. Mídia para se promover? Mídia para se queimar. [Cláudio]

Mudança na legislação confirma ensino de Ellen White

O Conselho Estadual de Educação determinou uma mudança na legislação. A partir de 2010, as crianças só podem ingressar no Ensino Fundamental se completarem seis anos até 30 de junho do mesmo ano. O objetivo com a nova regra é que todos os estudantes do primeiro ano tenham pelo menos seis anos, o que acaba com a idéia de colocar crianças muito novas na escola.

Alunos das escolas particulares do Estado de São Paulo que entraram antes da idade estipulada na legislação, terão que ou se afastar dos estudos ou repetir o ano para completar os seis anos de idade. Isso afetaria as crianças que atualmente estão matriculadas na escola e tenham três anos ou menos. Na antiga regra, os estudantes tinham que completar a idade correta até 31 de dezembro. O Ministério da Educação confirma que, atualmente, cerca 129 mil crianças com menos de quatro anos estão matriculadas em escolas particulares.

Segundo o líder de Educação para as escolas adventistas do Estado, Orlando Mário Ritter, a legislação coincide com aquilo que a escritora e educadora Ellen White já comentava há um século em seu livro Educação. “Essa foi uma excelente determinação. Coincide com o discurso de White de que as crianças devem permanecer mais tempo com os pais e por isso não é bom que a criança entre muito cedo na escola. Esse tempo que a criança fica mais em casa é essencial para os pais educarem seus filhos”, analisa.

(Suellen Timm)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Direitos humanos para humanos direitos!

Carta enviada de uma mãe para uma mãe em SP, após noticiário na tv:
De mãe para mãe...

Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.

Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc...

Eu também sou mãe e,assim, bem posso compreender o seu protesto... Quero com ele fazer coro.

Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.

Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família.

Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Olhe você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo... Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu? Que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem.

No cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas 'Entidades' que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto e talvez me indicar 'Os meus direitos'!

Fonte:
Mensagem eletrônica circulante na Internet por e-mail

Nota: Esta inversão de valores mora bem perto de todos nós e as evidenciamos todos os dias, porém ficamos inertes. Ela é mais um sinal contundente de que a volta de Jesus está bem mais próxima do que pensamos. [Cláudio]

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Assembléia aprova fim do comércio aos domingos

Postado originalmente por Michelson Borges no blog Criacionista.

Lojas de departamentos, supermercados e hipermercados que fazem parte de redes não poderão mais abrir suas portas aos domingos e feriados. É o que prevê um projeto de lei aprovado [dia 9] por unanimidade na Assembléia Legislativa [do Espírito Santo]. Para o estabelecimento que não cumprir as regras, o projeto prevê multa de R$ 18.113,00 para o comerciante e, para casos de reincidência, fechamento administrativo por 30 dias. A deputada Janete de Sá (PMN), autora do projeto, estabeleceu ainda que o horário de funcionamento desses comércios, inclusive os supermercados, deverá ser de segunda-feira a sábado, das 8 às 22 horas.

Segundo o projeto, para aplicação da lei entende-se por "redes" as empresas que possuem mais de duas filiais no Brasil ou no exterior. "O projeto vai ao encontro dos anseios mais profundos da classe comerciária e dos pequenos, micro e médio comerciantes de bairro e de rua", diz Janete. Ela acredita que a matéria beneficia os empregados. "O trabalhador que é obrigado a comparecer ao serviço fica privado do convívio familiar, não efetua vendas e não recebe pelo dia trabalhado", avalia a deputada.

Janete defende que sua proposta é constitucional, mesmo tendo ouvido argumentos contrários por parte dos empresários. "Nem tudo no Brasil, na ótica constitucional, é rígido. A propriedade, o mais absoluto dos direitos, desde o Império Romano, hoje deve ser exercida conforme sua função social", rebate a parlamentar.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deu parecer pela constitucionalidade e a de Finanças pela rejeição da proposta. Para entrar em vigor, o projeto precisa ser sancionado pelo governador Paulo Hartung (PMDB), mas antes será analisado pela Procuradoria Geral do Estado. ...

(Força Sindical)

Nota: Interessante que o argumento da deputada Janete é o mesmo do papa: o domingo é o "dia da família". Esse é apenas um ensaio localizado do que virá em âmbito global...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

CSCC - Contribuição Social para o Combate à Corrupção


A CPMF foi um imposto provisório, quase eterno, que durou 11 anos e quase foi prorrogada. Agora estão querendo "ressuscitá-la" com um nome diferente: CSS - Contribuição Social para a Saúde. Acontece que é um dever básico do governo prover assistência à saúde da população, que paga vários impostos para isso. Sem a CPMF, ou CSS, isso já é uma obrigação do governo. Esse imposto é absurdo, porque serve para tapar buracos que o próprio governo cava por incompetência, displicência e indecência! Não vamos deixar de observar que, mesmo com a CPMF, nunca o povo brasileiro teve uma assistência digna à saúde, ou seja, nem para tapar buracos serviu! Como pode ser isso? Ora, corrupção é a resposta.

Nosso país não precisa de mais leis, como muitos pensam, precisa de um governo moralmente correto que faça com que as leis que já existem funcionem de fato. Não precisamos de leis que criem novos impostos, precisamos que os senhores deputados, senadores, juízes, governadores, vereadores, prefeitos, dentre outros corruptos, parem de roubar o que é do povo!

Você sabia que a CPMF arrecadava, em média, 40 bilhões (1) de reais anualmente? É muito dinheiro para a saúde, não acha? Onde está a aplicação do mesmo? Não! Não venha me dizer que mais médicos são contratados, postos de saúde são construídos, mais remédios são fabricados, etc.. Quero saber da GARANTIA de atendimento DIGNO e EFICIENTE à população!

Você sabia que os nossos corruptos governantes e legisladores engordam seu patrimônio todos os anos com uma quantia de dinheiro que excede em muito à arrecadação anual da CPMF? Só com fraudes em licitações são 20 bilhões (2) de reais desviados dos cofres públicos. Pasme: estima-se que um total de 358 bilhões de reais sejam desviados anualmente. Isso é quase nove vezes a arrecadação da CPMF. Então podemos inferir que seria muito mais sensato investir pesado em combater a corrupção do que ficar metendo a mão cada vez mais fundo no bolso do cidadão, o qual acaba financiando as mansões, iates e orgias dos corruptos.

Sugiro ao povo brasileiro a extinção da idéia de criar a CSS e proponho a criação de um novo imposto: a CSCC - Contribuição Social para o Combate à Corrupção. O que acha? Esse imposto eu teria o maior prazer de pagar! Financiar o fim da corrupção no Brasil... Que maravilha!

É um sonho meu ver o povo indo às ruas, como os caras-pintadas, exigindo a criação de um imposto como o que propus, exigindo a realização de um referendo, que comprovaria abertamente o real desejo do povo. Os políticos não teriam como correr disso. Depois de ser aprovado, o novo imposto obrigaria por força de lei os governantes e legisladores a investir pesado e TRANSPARENTEMENTE no combate à corrupção. Eles seriam obrigados a DIVULGAR o que estivesse sendo feito, divulgar os resultados, os nomes dos corruptos e torná-los INELEGÍVEIS, porque é a frouxidão disciplinar atual que faz com que esses ladrões sintam-se tão à vontade. A punição deve ser exemplar, proporcional à tamanha responsabilidade depositada nas mãos desses sangue-sugas, para que os consuma de temor (lembrando que quem não deve não teme). Com essas medidas, certamente veríamos a saúde pública melhorar, nove vezes mais do que com a CPMF. Será que é utopia?

Vamos, meus compatriotas da República Federativa do Brasil, unidos acabar de uma vez por todas com essa aparência de governar e governar de verdade. Chega de políticos usufruindo de leis que os protegem de serem punidos por causa da roubalheira. Todo líder que se preza sabe que ele é o maior responsável pelo sucesso ou fracasso de uma equipe. Um líder, por definição não procura se isentar das responsabilidades. Vamos exigir que nossos líderes políticos se tornem alvo de suas próprias leis, assim como qualquer cidadão o é, como prova de sua integridade moral. Xô, CPMF! Xô, CSS!

Notas:
  1. iG Educa, 17/01/2008
  2. A Tarde On Line, 30/05/2007

domingo, 15 de junho de 2008

Existe Religião Oficial no Brasil?


"Sob o argumento de que 'somos todos irmãos em Cristo', a Prefeitura de Timon (430 km de São Luís, MA) descontou R$ 5 no salário de 1.658 servidores municipais para ajudar a pagar uma dívida de R$ 132 mil da Diocese de Caxias, da qual faz parte a paróquia local." (Folha Online, 05/06/2008)

Qual seria sua reação se isso acontecesse com você e a doação fosse para um templo budista, ou muçulmano, ou satanista? Desde 1988, a Constituição Brasileira "reza" que nosso país não possui religião oficial, mas atitudes como a da prefeitura mencionada acima nos mostram uma tendência contrária. Veja a Lei 6.802/80, que instituiu um feriado católico como sendo oficial, o 12 de outubro, o dia de "culto público e oficial à Nossa Senhora Aparecida". Culto público e "oficial"? Mas o Brasil não é um país laico, ou seja, sem religião oficial?

Se os católicos têm direito, então, será que eu, como adventista do sétimo dia, poderia reivindicar a criação de uma lei que tornasse o sábado no dia "oficial" de descanso dos brasileiros? Todos os sábados seriam feriados, já que é o dia da semana mencionado na Bíblia em Êxodo 20:8-11 como dia santo, separado. Por que não, se existem vários feriados católicos obrigatórios em nosso calendário? Será que um católico gostaria que sua empresa fechasse as portas todos os sábados por causa de um dia que não reconhece como sagrado? O que um cidadão ateu acharia se houvesse o dia nacional de NÃO-DOAÇÃO de sangue, como homenagem à crença das Testemunhas de Jeová de que a doação de sangue é pecado, e fosse proibido de doar sangue para um filho seu que está morrendo? É preciso refletir sobre isso.... Abaixo, alguma coisa sobre o que a Constituição "reza" sobre nosso país laico e a liberdade de culto:

"É vedado à União, aos Estados, e ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles relação de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da Lei, a colaboração de interesse público" (Artigo 19)

"VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos, e, garantida na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias." (Artigo 5º)

Como vimos na lei, todos temos direitos iguais, independentemente de crença.

É lamentável ver, em alguns concursos públicos, cristãos adventistas do sétimo dia (que não podem fazer prova no período que vai das 18h da sexta-feira até às 18h do sábado) tendo que ficar isolados em outras salas no dia da prova (sábado), desde a hora de início da mesma até às 18h, para somente então poderem realizá-la. Alguns podem até dizer: "é para que não haja fraudes". Por que, então, não realizar uma prova separada para os adventistas, já que é um direito deles??? Alguns podem até dizer: "o custo seria elevado". BINGO! Eis aí um problema moral sério de nossa sociedade: valorizar mais o dinheiro do que as pessoas, egoísmo, etc.. Esta é uma evidência de inversão de valores que explica muito bem o porque de nossa legislação contraditória, que privilegia muitos, em detrimento de outros tantos... Eis a condição de nosso país, condição do povo que constitui nosso país.

Se você deseja obter mais detalhes sobre os direitos iguais que todos os cidadãos brasileiros têm, no que se refere à manifestação religiosa, segue um link com maiores informações contundentes: http://www.direitonosso.com.br/artigo40.htm

Esse tipo de desigualdade existe no Brasil por causa de pessoas que estão no poder e que não têm interesse algum na democracia. Leis como esta que "oficializa" um dia de culto à Nossa Senhora Aparecida são inconstitucionais e preconceituosas. Nosso Salvador já havia predito a existência de tais pessoas, que possuem uma aparência de boas intenções, de bondade, mas, na prática, negam sua eficácia:

"Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta- te também desses. [grifo meu]" (II Tim. 3:1-5)

Peço a você, agora que está sabendo disso, que exerça sua cidadania e propague os princípios que aprendemos aqui, divulgando aos que lhe rodeiam sempre que for oportuno. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe. Amém!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Controle da Opinião Pública


“Quando eu uso a palavra”, disse Humpty Dumpty num tom desdenhoso, “ela significa exatamente o que eu quero que signifique – nem mais nem menos”. “A questão é”, disse Alice, “se você pode fazer uma palavra significar tantas coisas diferentes”. “A questão é”, disse Humpty Dumpty, “saber quem manda. Isso é tudo”
(Lewis Carrol, Alice Através do Espelho).

A arte de convencer pela palavra é muito antiga, já dizia meu professor Nilson Lage. Em sua forma moderna, a propaganda política foi inaugurada pelo bolchevismo e especialmente por Lênin e Trotsky. Mas mesmo antes deles houve líderes que reconheceram sua importância. Napoleão Bonaparte foi um desses. Ele disse:

"Para ser justo, não é suficiente fazer o bem, é igualmente necessário que os administrados estejam convencidos. A força fundamenta-se na opinião. Que é o governo? Nada, se não dispuser da opinião pública."

Mas foram Hitler e Goebbels que (infelizmente) utilizaram com maior sucesso as técnicas de controle à opinião pública e, assim, acabaram dando enorme contribuição à propaganda moderna.
Mas o que é propaganda?

"A propaganda é uma tentativa de influenciar a opinião e a conduta da sociedade, de tal modo que as pessoas adotem uma conduta determinada",

escreveu Bartlett, em Political Propaganda. E qual a diferença, então, entre propaganda e publicidade? Jean-Marie Domenach, em seu livro A Propaganda Política, à página 10, responde:

"A publicidade suscita necessidades ou preferências visando a determinado produto particular, enquanto a propaganda sugere ou impõe crenças e reflexos que, amiúde, modificam o comportamento, o psiquismo e mesmo as convicções religiosas ou filosóficas."

Pesquisa de opinião pública encomendada pelo Ministério da Justiça e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) ao Ibope mostrou que, para 30% dos pesquisados, a televisão é o principal veículo informativo e, para muitos, 28%, formativo. Ela é avaliada como uma importante fonte de atualização de conhecimentos e de entretenimento. No entanto, a maioria dos entrevistados, 57%, afirmou não se preocupar com o conteúdo da programação televisiva.

Poder de influenciar somado ao desinteresse pelo conteúdo dos programas. Eis aí a fórmula ideal para o controle da opinião pública.

A partir do momento que se percebeu que o homem médio é um ser essencialmente influenciável, e que é possível mudar-lhe as opiniões e as idéias, os especialistas passaram a utilizar em matéria política o que já se verificara viável do ponto de vista comercial.

Assim, as campanhas eleitorais nos EUA - com suas "paradas", orquestras, girls e cartazes, que são um verdadeiro e ruidoso reclamo - pouco diferem das campanhas publicitárias. Os candidatos são oferecidos ao público como produtos em uma loja.

"Os poderes destrutivos contidos nos sentimentos e ressentimentos humanos podem ser utilizados, manipulados por especialistas",

disse J. Monnerot. E para isso são utilizadas leis específicas. Vamos a elas.

LEI DA SIMPLIFICAÇÃO E DO INIMIGO ÚNICO

Consiste em concentrar sobre uma única pessoa as esperanças do campo a que se pertence ou o ódio pelo campo adverso. Reduzir a luta política, por exemplo, à rivalidade entre pessoas é substituir a difícil confrontação de teses. No caso do nazismo, os judeus acabaram eleitos como o "inimigo único".

Um bom exemplo contemporâneo foram as campanhas presidenciais brasileiras de 1989. Em Fernando Collor de Mello se depositaram todas as esperanças - muitas delas trabalhadas pelos meios de comunicação - do povo brasileiro: um presidente jovem, esportivo, religioso e aparentemente honesto, pois prometia acabar com os "marajás".

LEI DA AMPLIAÇÃO E DESFIGURAÇÃO

A ampliação exagerada das notícias é um processo jornalístico empregado correntemente pela imprensa, que coloca em evidência todas as informações favoráveis aos seus objetivos. Exemplo: a greve nacional dos petroleiros, em 1998. Os veículos de comunicação (especialmente a Globo) anunciavam com freqüência que os combustíveis, principalmente o gás, iam faltar. Ressaltavam os problemas que adviriam da falta de gás. Mostravam as filas de compradores em busca de seus botijões. Assim, garantiram a opinião pública desfavorável aos petroleiros.

LEI DA ORQUESTRAÇÃO

A primeira condição para uma boa propaganda é a infatigável repetição dos temas principais. Goebbels dizia:

"A Igreja Católica mantém-se porque repete a mesma coisa há dois mil anos. O Estado nacional-socialista deve agir analogamente."

Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, escreveu:

"A propaganda deve limitar-se a pequeno número de idéias e repeti-las incansavelmente. As massas não se lembrarão das idéias mais simples a menos que sejam repetidas centenas de vezes. As alterações nela introduzidas não devem jamais prejudicar o fundo dos ensinamentos a cuja difusão nos propomos, mas apenas a forma. A palavra de ordem deve ser apresentada sob diferentes aspectos, embora sempre figurando, condensada, numa fórmula invariável, à maneira de conclusão."

Portanto, a qualidade fundamental de toda campanha de propaganda é a permanência do tema, aliada à variedade de apresentação.

Quantas vezes já não ouvimos: "O Brasil é um ótimo País para se viver. Não há guerras, terremotos, catástrofes..." Ao transmitirem os infortúnios de outros países e noticiarem, apenas de modo superficial, problemas brasileiros, os meios de comunicação estão contribuindo para manter o status quo.

LEI DA TRANSFUSÃO

A propaganda não se faz do nada e se impõe às massas. Ela sempre age, em geral, sobre um substrato preexistente, seja uma mitologia nacional, seja o simples complexo de ódios e de preconceitos tradicionais. É o que os oradores fazem quando querem amoldar uma multidão ao seu objetivo: jamais contradizem as pessoas frontalmente, mas de início declararam-se de acordo com ela.

A maior preocupação dos propagandistas reside na identificação e na exploração do gosto popular, mesmo naquilo que tem de mais perturbador e absurdo.

Tomemos como exemplo a luta pela preservação da Amazônia. A quem interessa? Que interesses estão por trás? Até chavões como "a Amazônia é o pulmão do mundo" - equivocado, do ponto de vista biológico - foram criados para garantir que os donos do "quintal" não o explorem (desde que com responsabilidade), como os países industrializados já o fizeram, desastrosamente.

LEI DA UNANIMIDADE

Baseia-se no fato de que inúmeras opiniões não passam, na realidade, de uma soma de conformismo, e se mantêm apenas por ter o indivíduo a impressão de que a sua opinião é esposada unanimemente por todos no seu meio. É tarefa da propaganda reforçar essa unanimidade e mesmo criá-la artificialmente.

Quando Ayrton Senna morreu, os meios de comunicação trataram de transformá-lo num ídolo, até mesmo para pessoas que pouco sabiam sobre Fórmula 1. Ao ser perguntada por um repórter sobre o que estava sentindo, uma mulher respondeu:

"Estou muito triste. Eu nem sabia o quanto amava o Ayrton."

Não sabia mesmo, até a mídia dizer isso a ela.

É preciso que as pessoas conheçam os mecanismos de controle de opinião. Principalmente os profissionais de comunicação, para que não entrem nessa ciranda de manipulação e façam jornalismo ético e responsável.

(Texto extraído do Blog do Michelson Borges, 25.01.2006)

Nota: Podemos concluir que todos, de uma forma ou de outra fazemos parte de alguma grande massa influenciada por terceiros. Sabendo disto, podemos agora perceber quão importante é conhecer essas estratégias, pois revelam segundas intenções e o descaso para com o que é reto, justo e realmente bom. Não se deixe manipular, critique! [Cláudio]
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